José Gerardo

“Agora eu pergunto: em um ano e seis meses, você aprende matéria suficiente no Ensino Médio?”

“Para mim, o professor é peça chave nesse quebra-cabeça, então se ele não é valorizado, ele tem menos vontade de ensinar.”

 

José Gerardo e sua esposa saíram do Ceará para o Rio em busca de melhores oportunidades. Ele se emociona ao contar a sua trajetória e o desafio de duvidarem da sua capacidade. Acredita que a educação é fundamental para que possa ter melhores condições de trabalho e financeira. Gosta de estudar, mas é crítico às condições que a educação e os professores da rede pública enfrentam.

 

Clarice Santos

“Meu padrasto vem: ‘Tu vai pra onde?’, ‘Papai eu vou pro colégio, eu vou pra escola’. Ele falou: ‘Pode tirar a bolsinha das costas, pode guardar a mochila e trabalhar’.”

 

Clarice Santos precisou trabalhar na roça até os 15 anos, durante a juventude fez diversas tentativas de voltar à escola. Quer finalizar os estudos, mas ressente a falta de apoio e oportunidade de quando era mais nova. 29 anos

 

Tamiris da Silva

“Eu sofri muito quando eu era criança, por causa da minha cor.”

“Era uma revolta dentro de mim, aí eu fiquei dois anos sem ir para a escola.”

 

Tamiris quer ter liberdade para escolher seu futuro. Se dedica a ajudar pessoas que, como ela, já sofreram bullying. Conta que, quando pequena, foi vítima de racismo na escola e que não teve apoio dos professores nem da família para passar por aquela situação. Por isso, aos poucos foi se distanciando da escola.

 

Leonardo de Souza

“Esse é o tempo certo. Esse é o meu tempo. Nós fazemos o nosso tempo. Esse é o meu tempo.”
“Quando tinha 16 anos, fui pai, tive meu gurizinho, meu xodózinho.”

 

Leonardo deixava os estudos como um objetivo a ser buscado mais no futuro, mas em um futuro que nunca chegava. Ao ter seu filho, viu-se responsável por outra pessoa, o compromisso não era mais apenas consigo mesmo. Ser pai aos 16 anos foi um dos seus maiores desafios, mas conta que, se não fosse a chegada do seu filho, não teria voltado para a escola. Agora, ele considera que é o momento certo para concluir sua escolaridade, que este é o seu momento.

 

Maycon Pereira

 “Essa volta foi muito dolorosa. Imagina, 21 anos entrar na segunda série?”

 

Pai de três filhos, espera oferecer a eles a oportunidade de estudar que não teve, pois desde cedo precisou trabalhar para ajudar sua família. Voltar para a escola foi uma barreira que precisou superar, a vergonha era grande, mas teve o apoio da sua família para enfrentá-la. Espera terminar essa fase e seguir para a próxima: o ensino superior.

 

Michael John

“Eu entrei assim na sala, eu fiquei olhando, eu disse: ‘Que mundo é esse?’. Eu nem me conheço mais. Não sei nem como é isso.”

 

Após a separação da sua esposa, Michael passou por situações muito difíceis. Decepcionado, envolveu-se com drogas e, aos poucos, não se reconhecia mais. Viu na escola uma oportunidade para recomeçar. Enfrentou seus medos colocando dois objetivos em mente: construir uma nova vida e ter novos amigos.

 

Thiago Andrade

“Depois eu estudo, quando for mais pra frente eu estudo, agora eu quero pensar em trabalho, quero pensar em ter dinheiro.” 
“Eu larguei a escola para poder trabalhar para poder ajudar em casa e depois eu fui ver que não era isso tudo que a gente esperava.” 

 

Thiago começou a trabalhar cedo, queria ter dinheiro, comprar uma casa. Aos 20 anos, fora da escola desde os 12 aproximadamente, percebeu a importância da formação escolar para alcançar suas metas. Ao voltar para a escola, tempo, dinheiro e transporte foram algumas das dificuldades que enfrentou. Em uma das visitas à escola, a procura de informações sobre abertura de turmas, conheceu sua namorada. Hoje, os dois se apoiam e se motivam para terminar os estudos.

 

Maria Nunes

 “No momento, eu tava precisando de dinheiro. A escola não ia me ajudar muito, ia no futuro, mas não no momento, entendeu?”

 

Maria lembra quando abandonou a escola para trabalhar, era a prioridade daquele momento. Precisou se sustentar sozinha desde muito nova, pois era agredida em casa pelo pai. Aos 14 anos, engravidou para conquistar sua independência. Dedicada e responsável, é grata pela oportunidade de trabalho que conseguiu, pois possibilitou melhores condições de vida e de estudo para ela. Hoje, está realizada com o companheiro, que seu filho chama de pai, e a família que construiu.

 

Thayonara da Silva

 “Tem um professor que explica e dane-se se você entendeu ou não. Ele fala do jeito dele, explica do jeito dele.”

 

Thayonara demonstra confiança, diz abertamente que era bagunceira quando mais nova, mas que hoje é mais calma. Comenta que, por vezes, não entende a matéria e o professor não procura outras formas de ensinar, sente que falta atenção por parte de alguns deles. Para ela, a família é algo muito importante e tem o sonho de ter filhos e uma casa própria na favela onde mora.

 

Jhonata Barbosa

“Eu fui engolido pelo mundo, pelos erros da vida, e o mundo te engole se você não souber andar.” 
“Graças a Deus, o professor é esforçado, ele se esforça por nós. Ele fala pra mim assim: ‘Eu quero ajudar você’.”

 

Jovem sorridente, fala sobre como foi difícil superar os obstáculos que precisou enfrentar quando chegou do Nordeste na cidade do Rio. Considera que sua filha é seu bem maior, que é quem o motiva a ser a melhor pessoa possível. Tem como objetivo poder dar à ela a oportunidade de estudar e se dedicar à carreira que quiser quando mais velha. Para ele, seus colegas de turma e professores são essenciais para continuar a estudar.

 

Ellen Pinheiro

 “Eu acho que eu posso um pouco mais do que o NEJA me oferece, não que não seja bom, mas eu posso um pouquinho mais.”

 

É filha, estudante e trabalhadora, mas também irmã, namorada e ex-roqueira. Os pais se separaram quando ela era ainda muito nova. Conta que, mais tarde, aos 16 anos, saiu de casa por conta de uma discussão com sua mãe que tomou proporções inesperadas. Nesse período, sofria bullying na escola, mas encontrou aceitação e apoio em outros espaços, onde se identificou com outras pessoas também negras. Entre idas e vindas para a escola, hoje, não quer se formar cursando a EJA, quer uma preparação mais completa, que a prepare melhor para o ensino superior.

 

Alexandre Guimarães

 “Eu te digo hoje, com certeza, se não fosse meus companheiros, eu não teria concluído.”
“A escola não tem um espaço para você dividir o seu conhecimento.” 
“Essa noção de diferença, você já tem logo do começo, mas o porquê você só vai entender com o tempo.” 
“É muito mais recompensador você ter a sensação de que você está construindo alguma coisa.”

 

Alexandre é tímido, fugiu de casa algumas vezes em busca de uma certa liberdade, a escola também foi um dos seus refúgios. No desenho, encontrou uma forma de se expressar e de realizar seus sonhos. A partir de um curso profissionalizante, teve a oportunidade de desenhar a planta de sua própria casa.

 

Pedro Bruno

 “Os colégios estão abandonados, ninguém fala de melhoria para professor, para colégio, pelo contrário.”

 

Pedro viu seus pais se separarem quando ainda estava no início do ensino fundamental. Nesta época, seus estudos iam bem. Sua mãe assumiu toda a responsabilidade da casa, dos filhos e das contas. Mais tarde, aos 13 anos, saiu da escola porque se via em um espaço que não entendia e no qual não se reconhecia. Deixava a volta aos estudos para depois e quanto mais o tempo passava, mais difícil essa volta se tornava. Lamenta que sua mãe não tenha o impedido de sair da escola, mas hoje tem olhos para o futuro, investe no trabalho e nos estudos.

 
realização
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UFF | Univesidade Federal Fluminense
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